sobremesa
hoje comi palavras. digeri-as. deixei que fizessem o percurso
normal da digestão. arranharam-me toda: glote e epiglote.
engoli-as com a mesma determinação
com que fumo mais um cigarro que morre. que me alimentem as que o são –
palavras - e que sigam tubo abaixo todas as que, de profundas, apenas têm a sonoridade.
palavras que se dizem nuas acompanhadas de gestos que se não sentem. e, então,
como ainda mais palavras e deixo que todas as que me não tocam se façam lixo.
acabo a digestão. e alimentam-me as poucas que restaram.

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