no silêncio, sinto-me. sentindo-me não é de ouro, o silêncio. não tem preço. já o ouro tem. então, tenho para mim que é quando me calo que enriqueço. que tudo paira, que tudo se diz silêncio e calma, que tudo se esclarece e enaltece e se dilui e se engrandece de novo… silêncio: é de outono, é de inverno, é de primavera e chega-me sempre verão, ainda que o barulho me faça tiritar. sinto que estou na estação do silêncio, do teu, do meu, do nosso. do maturar, do apurar e reflorescer e amar. o silêncio devolve-me paz, amor e certezas que não queres e não quero, mas queremos. fiquemos, pois, em silêncio… é que queria ter a certeza de ser compreendida. sabia perfeitamente que nada se comungava entre incompreensões. mas qualquer tentativa - de tornar comum aquilo que apenas um lado entende - falecia vítima de ruído. e por isso dizia que as palavras não eram tão perfeitas quanto os diamantes brutos. esses são o que são, enquanto que a palavra é subtil e redonda. é difícil ultr...